03 Setembro 2009

Abre aspas

- Mesmo porque nessa altura é claro que as coisas vão ser muito difíceis, aliás, como tudo na vida...

- As coisas mais belas são sempre difíceis.

- Como tudo na vida...

Identidade

Lugar comum é saber como nos entregamos com descuido ao se produzir qualquer peça de arte, mas é estar em casa reconhecer o lugar comum dos outros.

Não mudastes nada meu chapa, nadinha, mesmo [absurdamente, exist]indo

31 Julho 2009

Later days

Jeremy - Pearl Jam

At home
Drawing pictures
Of mountain tops
With him on top
Lemon yellow sun
Arms raised in a V
Dead lay in pools of maroon below
Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Clearly I remember
Pickin' on the boy
Seemed a harmless little fuck
But we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recessed lady's breast
How could i forget
He hit me with a surprise left
My jaw left hurtin
Dropped wide open
Just like the day
Like the day i heard
Daddy didn't give affection
And the boy was something mommy wouldn't wear
King jeremy the wicked
Ruled his world
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Try to forget this...
Try to erase this...
From the blackboard.

.
.
.

Sempre senti uma atração inexplicável por esta música, mesmo sem nunca ter verdadeiramente prestado atenção, uma coisa que não sabia bem o que era, mas sabia que estava lá, e por algum motivo eu sempre pensava em vingança, em alguma forma de vendetta universalmente justa mas politicamente incorreta, eu pensava no troco, naquele grito amassado contra o céu da boca, eu pensava em todas essas coisas todas que se servem frias e se comem no escuro; hoje eu descobri que Jeremy já teve pernas e braços e umbigo, Jeremy Wade Delle, nascido em fevereiro de 75, morreu aos 15 anos em janeiro de 1991.

Delle was described by schoolmates as "real quiet" and known for "acting sad." After coming in to class late that morning, Delle was told to get an admittance slip from the school office. He left the classroom, and returned with a .357 Magnum revolver. Delle walked to the front of the classroom, announced "Miss, I got what I really went for", put the barrel of the firearm in his mouth, and pulled the trigger before his teacher or classmates could react. A girl named Lisa Moore knew Jeremy from the in-school suspension program: "He and I would pass notes back and forth and he would talk about life and stuff," she said. "He signed all of his notes, 'Write back.' But on Monday he wrote, 'Later days.' I didn't know what to make of it. But I never thought this would happen."

Eu estava errado.

13 Maio 2009

Copo meio vazio

Estou mais cansado do que de costume,

acho que passa,

só não sei o que fica.

07 Maio 2009

O plano

Todo mundo tem um plano até levar um soco na cara.

O primeiro golpe muda tudo.

É...

30 Abril 2009

Comodidades

Muitas pessoas que são felizes voltam pra casa sujas depois de um dia de trabalho, porque nem todo mundo quer uma vida de baunilha, e talvez seja essa obsessão por transparecer uma comodidade tácita, que o tombo nem doeu tanto, que 15 anos de preparação são pouca coisa, que acaba por empalidecer toda a glória e afastar aquelas pessoas que querem esse tipo de desafio.

Nem todo mundo quer uma vida fácil.

(Como se houvesse alguma.)

Memórias inventadas #2 (ou A infância que não tive)

Tenho sonhos de um outro tempo, de uma outra cidade, tenho sonhos de uma outra vida que já foi minha; o hospital ainda está lá, as sirenes, o topo das ávores, a mata selvagem sem concreto e sem nada que brotava vizinha às janelas, que se estendia por cima dos muros e por baixo do asfalto. Me sinto muito só nesse sonho, as coisas todas grandes demais, as pessoas todas pequenas demais, os cachorrinhos com um palmo de altura a lamberem-me os dedos dos pés, a garagem de casa com o portão aberto para a rua, o hospital, as coisas todas como deveriam ser, mas ainda assim outras.

Lembro da minha infância, mas talvez me lembre mais daquela que não tive, tanto faz; carregamos o selo de um tempo e de um lugar que recaiu sobre nós - e que não somos nós, nunca o fomos -, escapamos de tantas desgraças advindas do passado, da fome dos nossos pais, da pobreza, das surras de galhos de marmelo, das filas na padaria, do sal na ferida, das bocas de sino, e o que sobra é uma infância entre tantas outras que deixamos de ter, que por bem ou por mal nos conduziu aos vícios, à moderação, à virtude e à desgraça.

Lembro das histórias de meu avô, da kombi branca de portas corridas, do motor afogado, me lembro do pente fino e das tinturas de cabelo, me lembro de amor e de carinho, me lembro das aventuras à meia-luz, começo da noite e a bicicleta à toda, o vento no rosto como fosse pássaro, me lembro do medo do escuro, a volta apressada pra casa, o corredor que não visitava sem companhia, me lembro de tudo isso sem certeza nenhuma, me lembro como que de uma ausência, como quem descreve um quadro que não se vê há muito e que já não se sabe se realmente tocamos com os dedos ou apenas com a memória, como quem não consegue mais discernir uma foto de uma paisagem, um personagem de um amigo.

Hoje eu tenho uma infância que não é minha caminhando ao lado daquela que tive, como se esta não fosse boa ou ruim o suficiente, como se crescer uma vez só fosse pouco, e talvez seja egoísmo se apropriar do passado dos outros tão levianamente, como criança que não deixa intocada qualquer coisa que fique ao seu alcance, como que ainda na mais besta infância aprendendo a pedir por favor.

Me desculpem de novo: por favor?